tristeza de quem vê meu choro por você, uma comoção de quem passa,
uma solidariedade de quem vê,
um carinho de quem para qualquer um me quer bem,
distante do teu desdém,
mas eu quero mesmo
é teu colo pra viver,
e teu abraço pra aquecer;
ainda que doa rimar você..Você causa lágrimas nos meus olhos que não te veem. Rachaduras dos meus lábios que não te beijam. Arrepios na minha pele que você não toca. Consequências irreversíveis. Li certa vez que o amor nos encontra quando estamos distraídos e não há ninguém prestando atenção. Você foi uma tempestade inesperada e mortal. Dano irreparável. Nós somos a enchente. A água que invade os pulmões. Você é um caso sem volta, caminho só de ida para o abismo, e eu vou, eu vou. Deixe esse regaço
brinque com meu fogo venha se queimar faça como eu digo
faça como eu faço
aja duas vezes antes de pensar.
G
Você fala sobre o medo da morte como se eu estivesse viva. Enxerga a palidez que reside além das pálpebras e finge não notar o estrago. Somos estrago, eu digo. O estrago está feito já tem tempo e não havia retorno. Eu sei, meu bem, somos caminho árduo, estrada de espinhos. Guardei na estante resquícios dos teus olhos para que a saudade não me assombre, mas você me visita em sonhos e naquelas horas em que não há desvios para me impedir de lembrar dos teus olhos. ontem me vi acariciando teu cabelo cor de breu. Você não está, mas existe uma essência tua que me persegue dia e noite, em qualquer lugar, e não há escapatória. Eu fujo e te encontro além dos muros, além de mim. Já não tenho notícias tuas, há muito não recebo cartas ou avisos, mas há um pedaço teu comigo que se recusa a dizer adeus, ou sou eu que o prendi, já não sei mais o que quero, só sei que se parece muito com o afago que recebia nas horas tardias em que via me ver. O inverno chegou em nosso jardim e toda noite silenciosa sou capaz de ouvir as pétalas caírem, o som se parece com as lágrima solitária que escorre quando vejo fotografias nossas. Recordo-me bem a sensação que era sentir o peito transbordar de saudade ao encontrar com o desenho dos teus olhos. Eles sorriam para mim. Hoje, o peito dói e transborda. Eu te vejo de longe, como uma sombra, e ainda sou capaz de enxergar as flores. Falávamos delas, recorda? Existiam cores e histórias ainda não vividas que planejávamos com ansiedade de crianças, eufóricos. Destino à você palavras desconexas que sempre rodearam os rascunhos. Ainda faço do teu peito o meu travesseiro, mesmo que milhas nos separem e não exista prazo de (re)encontro. Somos, não te esqueça, somos. Somos a linha tênue que existe entre o ser e o não ser. Aquilo que poderia ter sido e não foi, aquilo que é e sempre será. Moramos no indefinido porque explicações são incapazes de decifrar qualquer coisa. Minha parte mais bonita morre na tua ausência e eu peço desesperadamente teu retorno porque viver em agonia me cansa e corrói, entende? Não há nada além de distrações e elas não passam de ilusões criadas para continuar existindo enquanto teus dedos não me tocam.
Você fala sobre o medo da morte como se ainda estivesse vivo. Morremos no momento do encontro, onde nossas palavras foram trocadas e não há uma sem a outra. Só existimos em nossa linha imaginária onde a solidão é compartilhada. Negá-la é negar a si mesmo.
Somos (uma coisa só), meu amor. Somos.
Da sua, sempre sua,
G.







